quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Fim do ano em Cuiabá

Luar no Pantanal

Passamos 12 dias mágicos na cidade que continuará para sempre imaculada nos meus sonhos- CUIABÁ. Podem questionar o porquê de tamanha paixão por um lugar. Bom,lá é família, tempo, alegria, paz...
Nada que me faça abandonar tudo e voltar pra lá, porém ficamos felizes por ter esse porto seguro para aproveitarmos sempre que tivermos um tempinho. Saimos de lá tão renovados, que fiz essa postagem pra render minha homenagem (plagiada) a este canto que foi e é tão importante pra mim...Escutei uma musica que parece que foi feita pra ela -- Cuiabá:



Vilarejo
Composição: Marisa Monte, Pedro Baby, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes
Há um vilarejo ali

Onde areja um vento bom

Na varanda, quem descansa

Vê o horizonte deitar no chão

Pra acalmar o coração

Lá o mundo tem razão

Terra de heróis, lares de mãe

Paraiso se mudou para lá

Por cima das casas, cal

Frutos em qualquer quintal

Peitos fartos, filhos fortes

Sonho semeando o mundo real

Toda gente cabe lá

Palestina, Shangri-lá

Vem andar e voa

Vem andar e voa

Vem andar e voa

Lá o tempo espera

Lá é primavera

Portas e janelas ficam sempre abertas

Pra sorte entrar

Em todas as mesas, pão

Flores enfeitando

Os caminhos, os vestidos, os destinos

E essa canção

Tem um verdadeiro amor

Para quando você for

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Acontece que eu sou bahiano, acontece que ela não é.

Primeiro amanhecer no Brasil (janela do quarto)



Para os alheios a cultura popular Bahiana, o título da postagem é uma célebre música de Cahimi. Casa perfeitamente com a atual situação do casal. O Julio é Bahiano, soteropolitano, fala OXi e chama farol de sinaleira. A Mari, é pantaneira, ama carne-com-arroz e farofa de banana e chapada. O Julio tá em casa, a Mari está entendo que Salvador agora é casa...
Mudança é sempre mudança, calejados já de tantas (que esperamos fazer mais), já era tempo de ter aprendido que nenhuma, no início, é totalmente indolor.

Depois dizem que morar com a sogra é ruim...

Nosso um mês de Brasil tem sido bom. Estamos reaprendendo a apreciar as boas coisas daqui, esquecendo aos poucos alguns costumes dos lugares que passamos e nos preparando pra viver nossa vidinha real. Esse é o problema: vida real! Apartamento, carro, projeto de filhos, empregos, conta chegando no final do mês. Com tudo isso nas costas e com salário = 0, resolvemos engordar as estatísticas que revelam o grande percentual de filhos trintões que permanecem na casa dos pais, e aceitamos o abrigo cedido pelos pais dos Julio. A experiência tem sido ótima, ver o cuidado

Nossa rotina tem sido correr atrás das coisas e nos convencer diariamente que tudo vai dar certo e vai melhorar. E não podemos reclamar: já estou empregada mas não trabalhando; o Julio já está trabalhando mas não empregado; já saio de casa de carro sem medo de nao saber voltar, já tenho igreja pra ir aos domingos, academia no fim da tarde e amigos pra ir a praia. Salvador é uma cidade apaixonante nào só pelas belezas naturais, como pelo povo e sua cultura particular. Cada dia estou mais certa que o propósito de estarmos aqui é grandioso, e que não vim parar aqui por um acaso do destino.

Enfim, estamos felizes e esperançosos nos dias melhores e agitados que ainda virão... E que os anjos digam AMÉM!





quarta-feira, 5 de dezembro de 2007


No começo era tudo cinza, mesmo havendo tantas cores.

Hoje os dias são cinzas, mas há cor em tudo.

Boulangeries, metro, passos rápidos, escadarias, vous , tus, crepes, cremeux, chèvre, cachecol,sapato baixo, saltinhos na escada, escada,escada, torre, vista, tons de azul, tons de cinza, tons de laranja. Museus, história, arte, Sena, pontes, trem, greves, pessoas, pessoas, pessoas, lingua, 23m2, thé glacê, Tv desligada, silêncio, código pra entrar, BOUEFs, narizes, olhos, lábios finos,cabelos emaranhados. Elástico de cabelo no chão.


Marais, Pasteur, Mandart, laverie, Franprix, Monoprix, decoração, Labo, Master, VIH, 9h, LOst, Greys anatomy, residence, Alliance, macarron, doces, doces, doces, regime, insipido, asódico, arroz de microondas, carrote rapé, jeunes pousses, sopa, caras fechadas, sorrisos, choros, joelhos ao chão, eglise, musica, dependencia, conta negativa, dolars. Elástico de cabelo no chão.


Pele seca, bochechas vermelhas, nariz escorrendo, T.grossese, negativo, negativo, negativo,frio,chaufage, visitas, união, solidão, juras, sonhos, medo, fotografia, velib, andar, mapa, pain au lait, raisins, tempo, minutos, emails, msn, semi-banhos, sabonete líquido, hidratante, meteo,fuso, thalys, passaporte, consulado,chicorré, aspirator, Qboa, SOIRÉES, LIXA, REBOCA, PINTA,clementine, nectarina. Elástico de cabelo no chão.

domingo, 11 de novembro de 2007

Nem só de pains, vins e fromages o homem viverá...








Quem olha o blog pode pensar que nossa vida é regada somente a férias européias. Talvez inconscientemente queremos esquecer um pouco o trabalho e postar os feriados e fins-de-semana tão maravilhosos que tivemos por aqui. Mas pena que a vida não seja assim (nem tão pena assim, vai!). O Julio tem "manipado" muito e não há um dia sequer que ele não dê uma passadinha no Labo. Ele está no subsolo do prédio central do Instituto Pasteur no Lab de espirochètes. Ali encontrou pessoas geniais, e uma liberdade pra produzir dentro de um contexto ecônomico invejável. O chefe, Mathieu, é um ser especial daqueles que agradecemos ter encontrado na vida. Tem ainda a Viviane e Pascale que são meio anjos-da-guarda dele.

Mari finalmente abandonou a vida de "médica-do-lar"e começou o tão sonhado estágio no Hospital Necker enfantes malades. Está na unidade de maladies infectieuses com o fofo prof Lortholary. Como sempre, tudo que envolve médicos e medicina tem um clima austero. Há uma competição entre internes (residentes), externes (internos) com o constante medo da opinião magistral do médecin atachè, bem como a sala do almoço exclusiva para médicos onde ninguem além entra, e ainda submeta-se a loucura das tradições quase religiosas inventadas por aqui. Mas no fim, todos têm um pouco de doçura em si e o Necker tem sido maravilhoso em muitos aspectos.

Profissionalmente a França tem sido genial para nós, há um ano vivemos a experiência dos EUA, e saímos de lá cuspindo no chão e sacudindo a poeira dos pés prometendo jamais voltar. Aqui não, aqui é um daqueles lugares que se pensa em voltar , em trazer os amigos , em jamais sair...

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

De que valeria tudo isso.



"A amizade duplica as alegrias e divide as tristezas" Francis Baco

Aproximando o tempo de voltarmos ao Brasil, já começamos a olhar Paris com um certo saudosismo, um certo remorso de abandonar o que contruímos nestes seis meses. Foi um período de provações, de aprendizado, de desafios mas acompanhados de grandes maravilhas. A maior delas foram as amizades que ganhamos neste tempo, na verdade não só isso... Aqui aprendemos o valor de um bom amigo, e sua essencialidade na formação do conceito felicidade.



Nesta Postagem queremos registrar os novos amigos que fizeram Paris ser algo mais doce e leve. Mas também os velhos amigos e família que nos visitaram neste tempo, e conseguiram deixar o Brasil mais perto, nem que só por um momento. Dos que deixaremos aqui, queremos guardá-los para sempre em nossa memória. Que Deus permita ficarem incrustados em nossas mentes coisas como: o sorriso largo tão companheiro da Tania, a serenidade divertida da Bel, a alegria contagiante da Najla, a bondade acolhedora da Paula, a energia invejável e brasileiríssima da Suely e sua família tão unida e feliz, a sapiência da Patricia com seu exemplo de vida, o bom-humor da Ana Paula, a Mirela que chegou pra alegrar a galera (daquelas pessoas que vc olha e sorri , sabe? Do bem, alto-astral).

Fomos ainda presenteados com boas visitas de velhos amigos e do meu amado irmão com sua doce Dani. Primeiro veio a Lili, que sendo irmã de quem é (NELMY companheirona de Sampa, de sonhos de lutas) não poderia ser diferente. Maravilhosa companhia, com seu pique atlético invejável , topando todos os nossos programas-de-índio, de lavar parede, à horas de fila pra ver DALIDA. A visita de Fred trouxe o sentido de família que tanto sentimos falta, a liberdade da fala não ponderada, do amor incondicional, coisas que só compartilhamos com os consanguineos. O Jorginho e Gracie chegaram pra esquentar o que andava morno, conseguiram nos animar para novas viagens, para o que nos espera no Brasil e tornaram-se nosso grande exemplo de vida a dois. Fofissímos! Ainda tem Marcelo cuiabaníssimo e sua bela Bruna. Tão bom escutar um sotaque da terrinha, saber das novidades e dar boas gargalhadas com o bugre na sua dança do siri... Agora estamos com a Ju, companheira de FIOCRUZ do Julio; tão boa companhia que dá vontade de trasferi-la dos EUA para a França.



A lista aínda estará sendo atualizada até o fim ---to be continue....



A Itália com Jorginho e Gracie

Fred e Dani

Sueli e família

Dia de serviço braçal : Nós , Tania e Lili

As Soirées no Marais farão falta...

Momento discussão cabeça ....

A visita da Ju e a chegada da Mirela


Cuiabanos em Paris!




terça-feira, 16 de outubro de 2007

Do alto Reino dos países baixos.

Demos uma pausa nas postagens francesas para contarmos uma de nossas viagens. AMSTERDAM. Essa era uma cidade que não estava nos planos itinerários em nossa estadia européia. Mas a THALYS (empresa de trem) nos presenteou com passagens baratinhas e arrumamos ótimas companhias para aventurarmos em um bate-volta (fomos sábado e voltamos no domingo) até lá.
Partimos cedinho no sábado, mas alguém resolveu usar todas as drogas licítas e ilicitas e suicidar-se na linha de trem. Atrasamos umas 3 horas, mas nada que fizesse perder a empolgação.
A cidade famosa pela sua postura frente a temas polêmicos como uso de drogas e prostituição, reservava outras surpresas.Amsterdam é uma cidade belíssima, com seus canais que a cruzam em todos os lados, sua arquitetura singular (com seus ganchos no apice das casas), toda arborizada... Além da arquitetura e da beleza da cidade, Amsterdam ainda é repleta de museus. Entre os mais famosos incluem-se o Rijksmuseum, o Museu Nacional, a Casa de Rembrandt e o Museu de Vincent Van Gogh.


Chegamos e resolvemos nos ambientar. Alugamos 4 bicicletinhas amarelas, e partimos direto ao Vondelpark. Lugar delicioso, com um sol gostoso de fim de tarde, pessoas curtindo a paisagem. O museu do Van Gogh estava fechado... Andamos praticamente a cidade toda em uma tarde, é incrível como Amsterdam é pequena. Mas o mais interessante é a quantidade de bicicletas, perde para Cáceres no Mato Grosso (ehhehehe), e melhor é o respeito dos carros, os faróis para os ciclistas. Não tem como, Amsterdam tem que ser feita de bicicleta.







No segundo dia fomos visitar a casa da Anne Frank é um museu super especial e emocionante... Percorrendo as peças e as estreitas escadas, é possível reviver os sentimentos daquela família que viveu escondida por cerca de dois anos. No antigo quarto onde Anne se escondia, ainda estão as fotos de sua coleção de artistas, que ela usou para decorar as paredes. O diário escrito por ela ficou famoso no mundo inteiro, mas há muitas coisas além para se achar por lá. As comoventes cartas de Otto Frank, pai da menina e único a sobreviver, escrevendo para parentes na esperança de reencontrar Anne. O museu também mostra vídeos com depoimentos de pessoas que conviveram com ela, e no fim uma enquete sobre temas polêmicos da atualidade. Enfim valeu muito a pena.


Contrastando com toda essa aura histórica de Amsterdam, está o ar liberal da cidade. Para quem não sabe, na Holanda o uso de drogas leves, a euthanasia e o casamento entre homossexuais são legais. A cidade é repleta de coffee-shops, os bares onde é vendida maconha e o chá de cogumelos, os magic mushrooms, que têm efeito alucinógeno. Os principais consumidores são os estrangeiros que visitam ou moram na cidade. Além do cheiro da erva, que dá para sentir da rua e que é super normal, o RED LIGHT DISTRICT é outra atração que só existe em Amsterdam. É um bairro de prostituição que virou ponto turístico.Nos prédios, cada janela vira uma vitrine de mulheres. Elas fazem poses seminuas convidando os homens a entrarem na sua vitrine, abrem a porta fecham a cortina e pronto. Serviço feito. As mulheres são bonitas, bem maquiadas e esculpidas; reza a lenda que a maioria provêm do Leste Europeu, até deixei o Julio olhar um pouco... Como ele era o unico homem da quadrilha, ele foi selecionado a perguntar o preço do "momento" - 60 Euros serviço completo.



Bom , deixamos Amsterdam conscientes (e debatendo) que o lendário conceito que concerne a liberação do uso de drogas leves talvez não seja a solução ideal. O sentido de libertinagem meio que invandiu a cidade. Palavras de velho, careta? Talvez. - Definitivamente meu lado hippie foi suprimido pelo yuppie que consome-me agora.....
Coisas que só se vê em Amsterdam.


Eu e Tânia disputando o espaço com as outras crianças

O Julio utilizando o discreto banheiro publico local


Essa é para estimular a Imaginação...

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Paris, parte II: êita povinho estranho!!!

Iniciei falando do nosso primeiro obstáculo, que foi o francês-língua. Agora vamos ao francês-povo, esses não foram de forma alguma um obstáculo à adaptação, mais conhecê-los e aprender de suas peculiaridades, foi essencial para a melhor convivência.
Entender a história francesa é entender a França hoje. E haja história! Paris a reflete em toda parte, seja no muro que a cerca, seja no mêtro de 107 anos, seja no Louvre (e sua mescla o moderno e antigo), seja no apartamento da Tânia e Bel (com seu gás de 1922), enfim aqui tudo é velho. Imagina que há relatos de habitação no lugar de Paris há 40.000 anos. Mas a origem mesmo, veio em 250 a.c. quando os Parisii, povo Gaulês, iniciou o povoamento local (daí o nome). Sempre fazemos uma comparação, e lembramos que em 1500 as 13 caravelas portuguesas avistaram somente o Monte Pascoal com seus tupis e tapuias. Aqui na mesma época eles viviam a o período renascentista na arte , da arquitetura, a reforma protestante, a reforma política... Voilá, estamos no velho mundo!

Paris era somente a ilê de la cité. Foi murada para proteção em uma época que era impensável achar que a cidade ultrapassaria tais limites. O muro continua lá, paris continua cercada e limitadíssima. E o que fazer com uma população que só faz crescer? Se mude para o BANLIEUE. São pequenas cidades suburbanas q rodeiam Paris. Lá os imóveis são maiores, mais baratos, o mêtro te leva a qualquer parte de Paris em 30min e não há trânsito. Pra termos uma idéia, paris abriga 2.150.ooo habitantes. Os outros 9 milhões estão espalhados nestas regiões. Quer morar em Paris? Pague o preço. Qualquer 20m carré aqui é luxo. Nós moramos em 23m, temos amigos que moram em 12m. Se falar o preço nenhum brasileiro vem pra cá, mas imagine que em média você pagaria 1500 reais de aluguel em um studio de 15-20 metros quadrados. Não há espaço em Paris. O trânsito virou caótico (nada que se compare a uma marginal em dia de chuva), até os carros tiveram que se adaptar e diminuir o tamanho, ou serem substituídos pelas motos (são muitas) ou bicicletas.

Nossa casinha. Calma, nos 5m restantes ainda tem cozinha e banheiro

O SMART, fomos feito um para o outro...


Acho que a pequenice das moradias leva o francês a curtir mais as áreas externas, deve ser daí a origem do gosto pelos piqueniques, a bela manutenção dos parques, as piscinas publicas lotadíssimas, os bistrôs animados.Mas com uma ressalva, nada demasiadamente noturno, aqui tudo acaba cedo. Respeite a hora do metro pra voltar pra casa.


Política: Uma característica francesa marcante é a divisão do poder entre um presidente, que tem sob sua responsabilidade as relações exteriores e a defesa da nação, e um primeiro-ministro, que cuida de todo o resto. Essa mistura tão francesa de presidencialismo com parlamentarismo, inventada por Charles de Gaulle, funcionou bem, sob a batuta de presidentes carismáticos como François Mitterrand, socialista, que reteve durante 14 anos uma autoridade quase monárquica enquanto o conservador Jacques Chirac comandava o Parlamento. Este é um país onde o governo fica com mais da metade das riquezas produzidas, e ainda assim gasta mais do que arrecada. A palavra aqui é SUBSIDIAR. A França garante a saúde de seus habitantes do berço à UTI, educação gratuita e até subsidia as refeições nos bistrôs, para evitar que os botecos tradicionais sejam engolidos pelo fast food americano. Aqui o governo é mãe, e não é só na saúde ou educação, é ele que concede a babá pro novo membro da família, o material escolar, a faculdade... Além disso é o maior empregador do País, tudo dentro de um contexto tentador: jornada de trabalhode 35 horas semanais, o salário mínimo de 1.450 dólares, as férias são prolongadas e a aposentadoria precoce (60 anos). Sugiro assistir o novo documentário do Michael Moore (SICKO) que exemplifica maravilhosamente o que queremos dizer.



Paris tem uma prefeitura que reflete todo esse cuidado francês. Os seus são muito bem cercados, os outros nem tanto. Nós não podemos no queixar... O Julio nos sustenta com uma uma bolsa-de-estudos francesa ,almoça banquete a três euros em restaurante subsidiado, eu faço um curso de frânces SUBSIDIADO pela prefeitura, estagio em hospital público recebendo alimentação e transporte pago pelo estado. Ou seja, estamos aproveitando da boa-vontade parisiense. Olhando superficialmente é um esquema perfeito, exceto pelo enorme buraco no Tesouro Nacional. Percebe-se que quem sofre as consequências não são os nascidos em berços tradicionais ou na classe média, mas os pobres, muitos descendentes de imigrantes do norte da África e do Oriente Médio, grupos que crescem no país a cada dia. Os respingos começaram a cair sobre os franceses na forma de revoltas - em 2005, lembram-se? a falta de emprego foi um dos principais motivos que levaram jovens marginalizados a queimar carros e prédios nos subúrbios de Paris. Acredito este ser o grande atual dilema francês: a imigração. Como se proteger sem segregar, como manter esse esquema sem excluir. Eles vivem isso diariamente, seja nos seus notíciarios, seja nos BOF escutados no metro e boulevares sempre que um estrangeiro não anda conforme a música... O mundo perfeito está sendo invadido.


Das peculiaridades francesas, me recuso a divagar sobre os estereótipos disseminados pelas outras nações, coisas do tipo, eles não gostam de tomar banho, são fedidos, grossos, odeiam estrangeiros... Queremos falar de outras percebidas nesse tempo. Destaco uma que amo, a POLITESSE. São tantos monsieur, madame, vous , c'est gentil, excuse moi, mercis. Eles valorizam isso como ouro. Nas escolas de língua somos constantemente doutrinados a não fugir a regra e manter a politesse em tudo, nos tutoyer (em vez de vous usar o tu) apenas para os amigos mais íntimos.


Outra característica local, são os persistentes resquícios provincianos que insistem em permanecer e guerrear com a modernização local. Percebemos isso no mês de Agosto, o mês das grandes férias parisienses. Paris fica entregue as moscas (e aos turistas que lotam a cidade). Todo mundo viaja. As padarias fecham, alguns supermercados, lojas e lojas, encontrar um lugar pra revelar foto foi um custo (em pleno mês que registra-se o maior número de turistas). Eles não ligam, férias são férias... Aqui não existem coisas como supermercado 24h, ou aberto aos domingos. As lojas seguem seus horários religiosamente, mesmo se vc estiver na fila pra pagar, terá que voltar outro dia. C'est fermé!!! Talvez seja daí a fama de bons vivants (não muito adeptos das atividades laborativas). Existe ainda o fato do banco demorar pra registrar uma movimentação, o extrato de hoje só revela os gastos que foram realizados 3 dias atrás, a luz é medida duas vezes ao ano, o almoço dura duas horas....

Bom, Ça c'est Paris, 'melange' de cultura, tradição, arte, poesia.... conflituosamente uma cidade apaixonante.