Composição: Marisa Monte, Pedro Baby, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes
quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Fim do ano em Cuiabá
Composição: Marisa Monte, Pedro Baby, Carlinhos Brown e Arnaldo Antunes
segunda-feira, 7 de janeiro de 2008
Acontece que eu sou bahiano, acontece que ela não é.
Para os alheios a cultura popular Bahiana, o título da postagem é uma célebre música de Cahimi. Casa perfeitamente com a atual situação do casal. O Julio é Bahiano, soteropolitano, fala OXi e chama farol de sinaleira. A Mari, é pantaneira, ama carne-com-arroz e farofa de banana e chapada. O Julio tá em casa, a Mari está entendo que Salvador agora é casa...
Depois dizem que morar com a sogra é ruim...
Nosso um mês de Brasil tem sido bom. Estamos reaprendendo a apreciar as boas coisas daqui, esquecendo aos poucos alguns costumes dos lugares que passamos e nos preparando pra viver nossa vidinha real. Esse é o problema: vida real! Apartamento, carro, projeto de filhos, empregos, conta chegando no final do mês. Com tudo isso nas costas e com salário = 0, resolvemos engordar as estatísticas que revelam o grande percentual de filhos trintões que permanecem na casa dos pais, e aceitamos o abrigo cedido pelos pais dos Julio. A experiência tem sido ótima, ver o cuidado
Nossa rotina tem sido correr atrás das coisas e nos convencer diariamente que tudo vai dar certo e vai melhorar. E não podemos reclamar: já estou empregada mas não trabalhando; o Julio já está trabalhando mas não empregado; já saio de casa de carro sem medo de nao saber voltar, já tenho igreja pra ir aos domingos, academia no fim da tarde e amigos pra ir a praia. Salvador é uma cidade apaixonante nào só pelas belezas naturais, como pelo povo e sua cultura particular. Cada dia estou mais certa que o propósito de estarmos aqui é grandioso, e que não vim parar aqui por um acaso do destino.
Enfim, estamos felizes e esperançosos nos dias melhores e agitados que ainda virão... E que os anjos digam AMÉM!
quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

domingo, 11 de novembro de 2007
Nem só de pains, vins e fromages o homem viverá...


Mari finalmente abandonou a vida de "médica-do-lar"e começou o tão sonhado estágio no Hospital Necker enfantes malades. Está na unidade de maladies infectieuses com o fofo prof Lortholary. Como sempre, tudo que envolve médicos e medicina tem um clima austero. Há uma competição entre internes (residentes), externes (internos) com o constante medo da opinião magistral do médecin atachè, bem como a sala do almoço exclusiva para médicos onde ninguem além entra, e ainda submeta-se a loucura das tradições quase religiosas inventadas por aqui. Mas no fim, todos têm um pouco de doçura em si e o Necker tem sido maravilhoso em muitos aspectos.

Profissionalmente a França tem sido genial para nós, há um ano vivemos a experiência dos EUA, e saímos de lá cuspindo no chão e sacudindo a poeira dos pés prometendo jamais voltar. Aqui não, aqui é um daqueles lugares que se pensa em voltar , em trazer os amigos , em jamais sair...

quarta-feira, 24 de outubro de 2007
De que valeria tudo isso.

terça-feira, 16 de outubro de 2007
Do alto Reino dos países baixos.



No segundo dia fomos visitar a casa da Anne Frank é um museu super especial e emocionante... Percorrendo as peças e as estreitas escadas, é possível reviver os sentimentos daquela família que viveu escondida por cerca de dois anos. No antigo quarto onde Anne se escondia, ainda estão as fotos de sua coleção de artistas, que ela usou para decorar as paredes. O diário escrito por ela ficou famoso no mundo inteiro, mas há muitas coisas além para se achar por lá. As comoventes cartas de Otto Frank, pai da menina e único a sobreviver, escrevendo para parentes na esperança de reencontrar Anne. O museu também mostra vídeos com depoimentos de pessoas que conviveram com ela, e no fim uma enquete sobre temas polêmicos da atualidade. Enfim valeu muito a pena.


Eu e Tânia disputando o espaço com as outras crianças
O Julio utilizando o discreto banheiro publico local
Essa é para estimular a Imaginação...
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
Paris, parte II: êita povinho estranho!!!
Nossa casinha. Calma, nos 5m restantes ainda tem cozinha e banheiro
O SMART, fomos feito um para o outro...
Acho que a pequenice das moradias leva o francês a curtir mais as áreas externas, deve ser daí a origem do gosto pelos piqueniques, a bela manutenção dos parques, as piscinas publicas lotadíssimas, os bistrôs animados.Mas com uma ressalva, nada demasiadamente noturno, aqui tudo acaba cedo. Respeite a hora do metro pra voltar pra casa.
Política: Uma característica francesa marcante é a divisão do poder entre um presidente, que tem sob sua responsabilidade as relações exteriores e a defesa da nação, e um primeiro-ministro, que cuida de todo o resto. Essa mistura tão francesa de presidencialismo com parlamentarismo, inventada por Charles de Gaulle, funcionou bem, sob a batuta de presidentes carismáticos como François Mitterrand, socialista, que reteve durante 14 anos uma autoridade quase monárquica enquanto o conservador Jacques Chirac comandava o Parlamento. Este é um país onde o governo fica com mais da metade das riquezas produzidas, e ainda assim gasta mais do que arrecada. A palavra aqui é SUBSIDIAR. A França garante a saúde de seus habitantes do berço à UTI, educação gratuita e até subsidia as refeições nos bistrôs, para evitar que os botecos tradicionais sejam engolidos pelo fast food americano. Aqui o governo é mãe, e não é só na saúde ou educação, é ele que concede a babá pro novo membro da família, o material escolar, a faculdade... Além disso é o maior empregador do País, tudo dentro de um contexto tentador: jornada de trabalhode 35 horas semanais, o salário mínimo de 1.450 dólares, as férias são prolongadas e a aposentadoria precoce (60 anos). Sugiro assistir o novo documentário do Michael Moore (SICKO) que exemplifica maravilhosamente o que queremos dizer.
Paris tem uma prefeitura que reflete todo esse cuidado francês. Os seus são muito bem cercados, os outros nem tanto. Nós não podemos no queixar... O Julio nos sustenta com uma uma bolsa-de-estudos francesa ,almoça banquete a três euros em restaurante subsidiado, eu faço um curso de frânces SUBSIDIADO pela prefeitura, estagio em hospital público recebendo alimentação e transporte pago pelo estado. Ou seja, estamos aproveitando da boa-vontade parisiense. Olhando superficialmente é um esquema perfeito, exceto pelo enorme buraco no Tesouro Nacional. Percebe-se que quem sofre as consequências não são os nascidos em berços tradicionais ou na classe média, mas os pobres, muitos descendentes de imigrantes do norte da África e do Oriente Médio, grupos que crescem no país a cada dia. Os respingos começaram a cair sobre os franceses na forma de revoltas - em 2005, lembram-se? a falta de emprego foi um dos principais motivos que levaram jovens marginalizados a queimar carros e prédios nos subúrbios de Paris. Acredito este ser o grande atual dilema francês: a imigração. Como se proteger sem segregar, como manter esse esquema sem excluir. Eles vivem isso diariamente, seja nos seus notíciarios, seja nos BOF escutados no metro e boulevares sempre que um estrangeiro não anda conforme a música... O mundo perfeito está sendo invadido.
Das peculiaridades francesas, me recuso a divagar sobre os estereótipos disseminados pelas outras nações, coisas do tipo, eles não gostam de tomar banho, são fedidos, grossos, odeiam estrangeiros... Queremos falar de outras percebidas nesse tempo. Destaco uma que amo, a POLITESSE. São tantos monsieur, madame, vous , c'est gentil, excuse moi, mercis. Eles valorizam isso como ouro. Nas escolas de língua somos constantemente doutrinados a não fugir a regra e manter a politesse em tudo, nos tutoyer (em vez de vous usar o tu) apenas para os amigos mais íntimos.
Outra característica local, são os persistentes resquícios provincianos que insistem em permanecer e guerrear com a modernização local. Percebemos isso no mês de Agosto, o mês das grandes férias parisienses. Paris fica entregue as moscas (e aos turistas que lotam a cidade). Todo mundo viaja. As padarias fecham, alguns supermercados, lojas e lojas, encontrar um lugar pra revelar foto foi um custo (em pleno mês que registra-se o maior número de turistas). Eles não ligam, férias são férias... Aqui não existem coisas como supermercado 24h, ou aberto aos domingos. As lojas seguem seus horários religiosamente, mesmo se vc estiver na fila pra pagar, terá que voltar outro dia. C'est fermé!!! Talvez seja daí a fama de bons vivants (não muito adeptos das atividades laborativas). Existe ainda o fato do banco demorar pra registrar uma movimentação, o extrato de hoje só revela os gastos que foram realizados 3 dias atrás, a luz é medida duas vezes ao ano, o almoço dura duas horas....
Bom, Ça c'est Paris, 'melange' de cultura, tradição, arte, poesia.... conflituosamente uma cidade apaixonante.









